Análise Crítica | Batman: A Piada Mortal (HQ)

março 25, 2020



Batman: A Piada Mortal, espetacularmente, é uma das melhores histórias que envolvem Batman e Coringa, além de ser uma das HQ's mais famosas da DC Comics. Por se tratar da relação de ódio entre o Vigilante de Gotham e o Palhaço do Crime, a narrativa traçada pelo autor Alan Moore (responsável, também, por Watchmen, Liga Extraordinária e V de Vingança), traz diálogos profundos de seus personagens que imergem o leitor na realidade apresentada da HQ, mostrando porquê acaba sendo uma obra tão lembrada entre apreciadores da DC Comics.


FICHA TÉCNICA

Original: Batman - The Killing Joke.
Tradução: Batman - A Piada Mortal.
Editora: DC Comics.
Autor: Alan Moore.
Ilustração: Brian Bolland.
Lançamento: 1988.

  • Sinopse: A Piada Mortal começa com uma visita de Batman ao Asilo Arkham, o sanatório para criminosos insanos de Gotham. O vigilante vai ao Asilo para visitar o Coringa, tentar conversar com o Palhaço do Crime e colocar um ponto final na longa história de ódio que existe entre esses dois homens.


A trama já entrega, logo de cara, um Batman pensativo e atordoado por ainda não saber quem é o Coringa. Como duas pessoas podem saber tão pouco sobre o outro e, mesmo assim, se odiarem da forma que se odeiam? Será que para findar o relacionamento entre eles, que já dura anos, não teriam outra escolha a não ser matar um ao outro? Neste contraste, é apresentado ao leitor a origem do Coringa que, mesmo após anos no crime, ainda é descrito como "nome desconhecido" pelas autoridades.

Entre a angústia de Bruce em saber tão pouco de seu arquirrival, somos presenteados com flashbacks do Coringa, representado em traços de cores desbotadas, sua vida civil: casado, desempregado, prestes a ser pai e incapaz de sustentar sua família, por ser um comediante fracassado. As cores da HQ, através das ilustrações de Brian Bolland, se contrastam entre o forte colorido e o esmaecido, respectivamente entre a história principal e o flashback, para nos envolver no mundo psicodélico de Coringa. Que, por sua vez, tenta provar que "basta apenas um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático", já que acredita que seu passado bastou para ele tornar-se o Coringa.

Com a certeza no que crê, quer provar ao Batman sua tese, e resolve invadir o seio familiar do Comissário Gordon, a pessoa mais íntegra e sã de Gotham City. O vilão rapta o comissário deixando para trás sua filha, Bárbara Gordon, gravemente ferida. É, neste ato, que presenciamos umas das cenas mais controversas na história de Coringa, que quer provocar a loucura em sua vítima. Então, logo após torturar Gordon, o palhaço do crime mostra diversas fotos de sua filha baleada, nua e, supostamente estuprada. Episódio que dependente da interpretação de cada leitor.

Neste cenário, percebemos toda insanidade do vilão que, mesmo sendo apresentado seu passado amargurado e infeliz, sua tese não se torna uma verdade. Pois, o Comissário Gordon não sucumbiu à tentativa de loucura que lhe foi implantada, mantendo sua fé na lei e justiça, apesar da tragédia com sua filha que ficou paralítica após o atentado.

Entretanto, Batman, mesmo após conseguir novamente capturar o Coringa, e ver os estragos monstruosos que ele fez com pessoas das quais se importa, demonstra seu cansaço da caça diária de cão e gato, e tenta conversar com o vilão oferecendo reabilitação. Mas, Coringa se nega e conta uma piada para o Cavaleiro das Trevas, a fim de fazê-lo entender o motivo de sua negativa.

Num dos momentos mais icônicos do arco de Gotham, Batman começa a rir da piada junto com Coringa. As sirenes da polícia vão se aproximando misturando-se com a risadas, enquanto Batman se apoia em Coringa e as risadas vão cessando. A interpretação para o que ocorre no final da HQ são várias. Batman teria sucumbido àquilo que ele temia? Teria chegado o momento de findar o relacionamento deles? A interpretação é livre. Já o Coringa... nem tanto.

Entre todas nuances em torno de “Batman: A Piada Mortal”, é perceptível e explicado a ligação que Coringa tem com Batman, pois sua nova realidade de crimes acabou existindo devido seu encontro com o vigilante de Gotham no pior dia de sua vida. Coringa joga a responsabilidade da sua atual realidade em cima de Batman, como se o mesmo tivesse a obrigação de aguentar todas suas atrocidades, usando-o como combustível para suas maldades, incitando Batman a se tornar aquilo que abomina, sem saber que Coringa nada mais é que uma obra sua.

Decerto, a resposta do que acontece no final da crise de riso está entregue junto ao título da obra, podendo ser um parâmetro do que o Coringa busca e espera de Batman: Um final para o que o próprio Cavaleiro das Trevas começou e só ele pode finalizar.

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BÔNUS: A animação de "Batman: A Piada Mortal", é bem fiel à HQ, exceto pelos primeiros 30 minutos que servem mais como prólogo sobre a Batgirl/Bárbara Gordon, o que acaba tendo uma quebra de narrativa, parecendo duas animações anexadas. Apesar do início da animação não conversar com "A Piada Mortal", a história se desenrola fielmente aos traços apresentados na animação, não mudando nada além quando o filme animado entra na narrativa original de Alan Moore.

É Andre, sem acento mesmo. Adoro implicar com a Marvel, então já sabe, se ficar bravo é pior.

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