Entrevista | Fernanda Crispim: a voz de Lana Lang, Fiona e muitos mais

Foto: Fernanda Crispim
 
Dando continuidade a seção de entrevistas decidi garimpar esse mundo de dublagem e trazer mais curiosidades sobre as vozes que dão o sotaque brasileiro, em personagens marcantes da DC Comics. E é claro que isso dá margem para conhecermos, muito mais, as vozes que estamos tão acostumados em nossos personagens preferidos.

E, dessa vez, quem aceitou ceder uma entrevista exclusiva ao UMDCNAUTA.online, diretamente de Miami Beach (FL, Estados Unidos), foi a atriz e dubladora Fernanda Crispim. Responsável pelas vozes de: Lana Lang de "Smallville"; Brooke Davis de "One Tree Hill"; Claire Kyle de "Eu, a Patroa e as Crianças"; Tonya Rock de "Todo Mundo Odeia o Chris"; Princesa Fiona de "Shrek"; entre muitas outras, que também já tiveram o toque magistral de Fernanda.

Agora, é se ajeitar na cadeira, descer a barra de rolagem e aproveitar para conhecer um pouco mais sobre esse mundo de dublagem, com Fernanda Crispim.


ENTREVISTA

UMDCNAUTA: Há quanto tempo você dubla? Como você ingressou no mundo da dublagem?
FERNANDA CRISPIM: Eu dublo desde os 10 anos de idade, ou seja, h√° 34 anos... ou seja, entreguei a minha idade! RsRsRs
Comecei a minha carreira aos 9 anos de idade, atuando no Teatro Musical. Minha peça estava em temporada em um Teatro na Tijuca- RJ, bem próximo da Herbert Richers. Nesse tempo, eu estava começando uma oficina de Dublagem com o saudoso e incrível dublador "Newton Da Matta" (dublador do Bruce Willis) e foi lá onde tudo começou, e nunca mais parou! (Graças a Deus!).

UDCN: Você possui referências de dublagem, alguém que te inspire e admire?
FC: Newton da Matta foi minha inspiração e a Marisa Leal. Eu amava assistir quando ela estava dublando a Brenda de "Barrados no Baile"! E, também, a saudosa "Vera Miranda".

UDCN: A sua primeira dublagem, em filmes, foi em Superman IV, com o saudoso Christopher Reeve, no papel título. Como foi fazer seu primeiro trabalho de dublagem em um longa-metragem, numa produção tão importante para a cultura pop?
FC: AHHHH, eu nem podia acreditar!! Acho que fiquei dias sem conseguir dormir! rsrsr

UDCN: Quem acompanhava as séries no SBT, certamente, tem familiaridade com sua voz. Em Smallville, você dublou a personagem Lana Lang, paixão do adolescente Clark Kent. A personagem se popularizou muito com a série, tendo um forte apelo entre os fãs de Smallville. Você chegou a ter uma relação pessoal com a personagem? Alguma história que lhe marcou?
FC: Eu amava dublar a Lana Lang e amava fazer par rom√Ęntico com meu irm√£o, Peterson Adriano! Eu me lembro que, uma vez, ela precisava gravar um comercial pra Neutrogena, em Portugu√™s e Espanhol. Ent√£o, ela me pediu que gravasse um guia de voz pra ela, mas eu nunca vi esse comercial no ar, n√£o sei se rolou. Mas foi a minha √ļnica experi√™ncia com ela. As hist√≥rias que me marcaram foram quando ela descobriu a identidade do Clark e quando ela ficou um pouco m√°. Eu amei pq ela era sempre muito boazinha!
* O comercial rolou, e para confer√≠-lo clique aqui.ūüėä

UDCN: Você é a voz da Princesa Fiona (Shrek), aqui, no Brasil. Acompanho outros trabalhos seus, na parte de animação, como a personagem Abelha de "Os Jovens Titãs", da DC Comics. Existe uma diferença entre dublar animação e live-action? Algum tipo de preparação diferente para encarnar o personagem?
FC: Eu amo todos os meus personagens e procuro ser fiel √† personalidade de cada um deles! Amo os games, narra√ß√Ķes, eu amo tudo o que tem a ver com a minha profiss√£o!!!N√£o exatamente, eu apenas olho a express√£o dos olhos deles. Sempre digo que os olhos s√£o o espelho da alma!

UDCN: Se pudesse ter um super poder, qual seria?
FC: Voar e ir pra onde eu quisesse!!
Ah!! E ter o poder de transformar o mundo em um lugar habit√°vel e com mais amor! Mas Deus faz isso muito melhor do que eu, ent√£o tento apenas fazer a minha parte.

UDCN: Você também é diretora de dublagem. Qual é a real diferença entre dublar e dirigir o dublador? Qual dos dois você prefere e por quê?
FC: Eu amo dublar!! Eu tamb√©m amo formar novos profissionais e gerar novos sonhos.  Mas, tamb√©m, gosto de dirigir e me deliciar com a interpreta√ß√£o dos atores/dubladores.

UDCN: O Pr√™mio Yamato, intitulado como Oscar da Dublagem, sem d√ļvidas, √© um dos maiores reconhecimentos que o profissional da dublagem pode ter. Como foi pra voc√™ receber o pr√™mio de Melhor Dubladora de Protagonista, com a voz da Princesa Fiona em Shrek para Sempre?
FC: Foi incrível porque além de ter sido por voto popular, eu só soube do prêmio depois que tinha ganho! Nesse tempo, eu não usava muito a internet, porque estava muito ocupada dividindo o meu tempo com meu trabalho de direção, a dublagem e com a criação dos meus 2 filhos que eram pequenos! Mas foi, com certeza, uma agradável e incrível surpresa, além de um lindo reconhecimento do meu trabalho. Me senti muito honrada!

UDCN: Voc√™ tamb√©m √© a voz da Claire (Eu, a Patroa e as Crian√ßas) e Tonya (Todo Mundo Odeia o Chris), duas s√©ries muito lembradas entre os brasileiros. J√° houve alguma situa√ß√£o engra√ßada, justamente por ser dublagens de situa√ß√Ķes c√īmicas?
FC: Sim, sobre a Claire, eu coloquei no Junior (cabeção) todos os apelidos que meu irmão mais velho, André, me colocava!! Eu me lembro que meu irmão me chamava de "Cabeça de arrombar navio", porque minha mãe cortava meu cabelo igual ao boneco do playmobil. Eu, praticamente, me vinguei! heheh Sobre a Tonya eu ria muito com a frase "Ahhh, eu não preciso disso não!! Meu pai tem 2 empregos"!! hahahha

UDCN: Você tem uma vasta história com as novelas mexicanas. Qual delas que mais lhe marcou e por quê?
FC: Chispita, com certeza!! Porque foi a minha protagonista e foi o próprio Silvio Santos que escolheu o meu teste. Ele mesmo mandou uma carta pro saudoso Herbert Richers, dizendo que chorava com a minha interpretação. Eu era uma menina, então foi aí que eu me dei conta que estava no caminho certo!! Mas eu amo dublar novelas mexicanas!! Todas as minhas personagens estão na minha lembrança. Todas tem um lugar especial no meu coração. Eu também não posso deixar de mencionar o Jorge Del Salto de Carrossel, que foi a primeira novela e eu dublava um menino.

UDCN: Qual o tipo de produ√ß√£o voc√™ mais gosta de trabalhar: Anima√ß√Ķes, filmes, s√©ries ou novelas? E por qu√™?
FC: TODAS!! Eu juro. Todas s√£o um desafio diferente e apaixonante!

UDCN: A galera, hoje em dia, est√° aderindo mais √† dublagem. Em vista do passado, produ√ß√Ķes dubladas est√£o ganhando mais apelo com um p√ļblico maior. De modo geral, isso facilitou o reconhecimento da profiss√£o tanto no mercado, quanto pelas pessoas?
FC: Sim claro! A internet, com certeza, ajudou! As pessoas sempre tiveram curiosidade de conhecer quem estava por tr√°s das vozes de seus personagens favoritos e a internet permitiu isso. E quem nunca imitou as vozes dos dubladores? E quem nunca sonhou em ouvir sua voz no seu personagem favorito?

UDCN: Qual dica/conselho você daria para aquelas pessoas que têm interesse em investir na carreira de dublador?
FC: Eu sempre digo pros meus aluno: "Nunca desista dos seus sonhos'!! Invistam em interpretação, porque um filme bem dublado não é um filme bem sincronizado, apenas é, sim, um filme bem interpretado!! Precisamos passar a intenção correta, a emoção correta! Dublagem é uma profissão como qualquer outra, portanto, estudem, se dediquem!!
Fazer cursos de interpretação e técnicas de dublagem não é jogar dinheiro fora e sim um investimento!! Seja excelente!! Não seja medíocre!! Não faça qualquer jeito só pra ganhar dinheiro, isso é uma consequência!! Olhe para criação perfeita que você é e para o potencial que Deus colocou em Você. Deus não faz nada mais ou menos, seja melhor a cada dia! Você vai chegar lá!!
E seja ético, humilde e gentil. Faça tudo com muito amor!

Hoje, vocês puderam conhecer um pouco mais sobre o mundo da dublagem, através da entrevista com a queridíssima Fernanda Crispim. Se, assim como eu, vocês estão cada vez mais empolgados com esse universo de vozes fantásticas, sigam a Fernanda em suas redes e fiquem ligados no trabalho incrível que ela desenvolve por lá!

---------- FERNANDA CRISPIM NAS REDES: INSTAGRAM | FACEBOOK ----------

Ps: Fernanda saiu diretamente das p√°ginas da Revista Caras para este bate-papo exclusivo. N√£o √© uma honra t√™-la neste site? ūüėāūüėā Sucesso, Fernanda Crispim!

Foto: Fernanda Crispim   Dando continuidade a se√ß√£o de entrevistas decidi garimpar esse mundo de dublagem e trazer mais curiosidades sob...

Esquadr√£o Suicida | Por que Michael Rosenbaum precisou recusar o papel no filme?


Michael Rosembaum, nosso eterno (e melhor) Lex Luthor de "Smallville", cedeu uma entrevista ao ComicBook, e surpreendeu a todos quando revelou que precisou recusar um papel para o novo filme de Esquadr√£o Suicida ou The Suicide Squad, com preferirem.

MAS COMO ASSIM?!


A verdade √© que foi por pouco que n√£o tivemos Rosenbaum incluso √† equipe de vil√Ķes da DC Comics. O motivo? O ator havia acabado de passar por uma cirurgia no pesco√ßo e foi orientado pelos m√©dicos a n√£o ter nenhum tipo de movimenta√ß√£o f√≠sica, no per√≠odo de recupera√ß√£o.

Ficou bem perto, acredito. Eu estaria no filme, mas precisei fazer uma cirurgia no pesco√ßo, e isso me custou esse papel. Era algo que envolvia cenas de a√ß√£o, ent√£o ficou invi√°vel. Mas, sim, existia algo. Infelizmente, ainda n√£o posso revelar qual personagem! Tudo o que vou dizer √© que James (Gunn) √© uma das melhores pessoas com quem j√° trabalhei. √Č, realmente, muito legal quando seus amigos lembram de voc√™.


Contou o ator, em epis√≥dio recente da Comicbook's Talking Shop. Rosenbaum j√° trabalhou com o diretor James Gunn em “Guardi√Ķes da Gal√°xia Vol. 2", numa participa√ß√£o especial como Martinex. Mas, e a√≠, algu√©m se habilita em adivinhar qual papel estava reservado ao nosso ex-careca de Pequen√≥polis? Ser√° que esse convite vai se repetir, se houver uma continua√ß√£o do filme?

REZANDO, DESDE J√Ā!

Aleluia, arrepiei!ūüôŹūüôĆ

O elenco terá o retorno de Viola Davis como Amanda Waller, Joel Kinnaman como Rick Flagg, Jai Courtney como Capitão Bumerangue e Margot Robbie como Arlequina. Além de novos nomes, como: Idris Elba, John Cena, Peter Capaldi, Nathan Fillion, Alice Braga, Michael Rooker, Taika Waititi, Sean Gunn, Storm Reid, Daniela Melchior, David Dastmalchian e Steve Agee.

The Suicide Squad chega aos cinemas em 06 de agosto de 2021, com direção e roteiro de James Gunn.

Michael Rosembaum , nosso eterno (e melhor) Lex Luthor de "Smallville" , cedeu uma entrevista ao ComicBook , e surpreendeu ...

Mulher-Maravilha 1984 | Warner fará ação do filme na final do BBB 20


 
O planejamento de divulgação do filme Mulher-Maravilha 1984 começou a se intensificar. Durante a final do Big Brother Brasil 20, a Warner Bros exibirá um comercial protagonizado pela atriz Gal Gadot no intervalo do programa.

Por√©m, o comercial √© somente para as audi√™ncias das cidades de Rio de Janeiro e S√£o Paulo. A final do reality show est√° marcada para a pr√≥xima segunda-feira (27) e promete alcan√ßar uma das maiores audi√™ncias das √ļltimas edi√ß√Ķes.


Enquanto isso no twitter, a not√≠cia chega com analogias e compara√ß√£o do BBB ao Superbowl e suas divulga√ß√Ķes do intervalo, ser√°?
 

O filme chega as cinemas em 13 de agosto, após ter sua data adiada devido a pandemia do Covid-19.

Dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Gadot, Mulher-Maravilha 1984 traz no elenco Chris PineKristen Wiig, Pedro Pascal, Robin Wright Connie Nielsen. Na trama Diana enfrentar√° dois grandes vil√Ķes da DC Comics, Maxwell Lord e Mulher-Leopardo, enquanto ainda precisa entender sobre a volta de seu amado Steve Trevor ao mundo dos vivos.

  O planejamento de divulga√ß√£o do filme Mulher-Maravilha 1984 come√ßou a se intensificar. Durante a final do Big Brother Brasil 20 , a War...

Entrevista | Jorge Lucas: a voz do Batman, Lex Luthor e muitos mais


Foto: Jorge Lucas | Crédito: Nana Moraes
 
Em grande estilo, é com imenso prazer que trago a primeira entrevista do site! O ator e dublador Jorge Lucas cedeu uma exclusiva ao UMDCNAUTA.online!

Tenho certeza que voc√™ conhece a voz dele, seja como: Batman (de Ben Affleck), Lex Luthor (Smallville), Charlie Sheen, Vin Diesel, RuPaul, e muitas outras vozes que esse mestre j√° interpretou. Talvez o conhe√ßa, tamb√©m, pelas suas apari√ß√Ķes em novelas e s√©ries de TV, como: A Diarista, Casos e Acasos, For√ßa Tarefa, P√© na Jaca, Voc√™ Decide, Fa√ßa sua Hist√≥ria, N√≥s da Escola, A Lei do Amor e Bom Sucesso.

Então, é isso. Eu e alguns entusiastas nos reunimos para desenvolvermos as perguntas ao dublador e ator Jorge Lucas. A leitura é com vocês!


ENTREVISTA

UMDCNAUTA: Como você ingressou no mundo da dublagem? E por que escolheu a profissão?
JORGE LUCAS: Comecei fazendo um curso de dublagem com profissionais extremamente conceituados, dentre eles: M√°rio Jorge, M√īnica Rossi, Paulo Pinheiro, Hamilton Ricardo e M√°rcio Sim√Ķes. Isso foi em outubro de 1991. Eu j√° era ator de teatro, formado pela Uni-Rio, j√° fazia teatro infantil, projeto-escola e tentava entrar no mercado mais a s√©rio. Sempre amei televis√£o e sempre me interessei em saber de quem eram as vozes que ouvia nos desenhos e filmes que assistia, desde pequeno. Sabia que √© um mercado de e para atores profissionais e fui descobrir se eu levava jeito para o of√≠cio da dublagem. Logo na 1¬™ aula percebi que sim, apesar de muito dif√≠cil, t√©cnico e cheio de detalhes que s√≥ com o tempo aperfei√ßoei. Digo que ser ator √© algo que est√° no meu caminho desde cedo. Quando brincava sozinho com meus bonecos, criava vozes diferentes para eles, hist√≥rias intermin√°veis e me divertia, absorvido pelo meu imagin√°rio. A dublagem foi uma forma de fincar √Ęncora no mercado, desde o in√≠cio, al√©m da realiza√ß√£o de um sonho de inf√Ęncia.
 
UDCN: Alguma dublagem marcou sua inf√Ęncia? Dentro da profiss√£o voc√™ possui refer√™ncias para dublagem? Algu√©m que lhe inspire e admire?
JL: Algumas dublagens s√£o inesquec√≠veis e s√£o v√°rias as minhas refer√™ncias infantis: S√īnia Ferreira dublando Barbra Streisand em “Hello Dolly”; M√°rio Monjardim e Orlando Drumond em Salsicha e Soccoby Doo, respectivamente; Selma Lopes como Woopi Goldberg e Marge Simpson; Marlene Costa como a mulher bi√īnica; Waldir Santana, o eterno Homer Simpson; a divina Ida Gomes dublando magistralmente a Mal√©vola e a Madame Medusa nos desenhos da Disney; qualquer dublagem feita por Newton da Matta, J√ļlio Chaves, Juraci√°ra Di√°covo, Vera Miranda, S√īnia de Moraes, Nelly Amaral, Andr√© Filho. Perceba que todos esses dubladores, citados acima, vinham do teatro ou do r√°dio-teatro e r√°dio-novelas, a base da excelente dublagem brasileira, e s√£o eles minha maior inspira√ß√£o.

UDCN: Como é a rotina de um dublador? E como funciona a seletiva de trabalhos?

JL: A rotina de um dublador √© exatamente a falta de rotina. H√° momentos de grande produ√ß√£o em que corre de um est√ļdio para o outro, durante o dia inteiro; vai-se √† S√£o Paulo para dublar por dois dias, retorna-se para o Rio; e h√° momentos, como √© corrente na vida do ator, de n√£o haver muita produ√ß√£o e bate a incerteza, a inseguran√ßa. Por isso que √© uma profiss√£o para quem tem voca√ß√£o e emocional para segurar os altos e baixos. A sele√ß√£o √© feita por testes e indica√ß√Ķes.


UDCN: Com uma vasta lista de personagens dublados e sendo voz fixa de diversos atores de Hollywood, como foi para você saber que, depois de anos dublando Ben Affleck, teria a oportunidade de dublá-lo, interpretando o Batman? Houve algum desafio para realizar a dublagem, (principalmente na variação de vozes entre Batman e Bruce Wayne)?
JL: Com certeza, at√© hoje, no mercado de dublagem, foi meu maior sonho realizado ter dublado o Batman, o homem morcego. Eu dublo o Ben Affleck h√° 26 anos. Logo, amadurecemos juntos, voz, emocional, vida e v√™-lo fazendo aquele que, para mim, √© o melhor Bruce Wayne da hist√≥ria do cinema, e como ele foi criticado, quando de sua escala√ß√£o, foi emocionante. Me diverti dublando e me relembrei de mim mesmo, crian√ßa ao lado do meu irm√£o, assistindo Adam West e Burt Ward, naquela par√≥dia maravilhosa e inesquec√≠vel dos anos 60. Jamais poderia me imaginar dublando o Batman d√©cadas depois, dando vida ao her√≥i mais humano e ic√īnico de todos, perturbado e sens√≠vel ao mesmo tempo. O maior desafio, e esse √© o maior em qualquer trabalho de ator/dublador, √© manter a humanidade do personagem, √© respeitar o trabalho que foi feito pelo meu colega e dirigido, e roteirizado, e discutido por meses a fio de pr√©-produ√ß√£o. Inclui-se o fato de estar dando vida a um personagem amado h√° d√©cadas, numa superprodu√ß√£o esperada com ansiedade por todos, advinda de um HQ e franquia de alcance mundial. Em rela√ß√£o √†s vozes, n√£o houve dificuldade. Fiz minha voz normal para dar vida ao Bruce e quando era o Batman, ela levava efeito de est√ļdio e mixagem, como o pr√≥prio √© no original. Foi uma honra, um prazer, uma ben√ß√£o e uma lembran√ßa que sempre terei na vida ter dublado o Batman.

UDCN: Sua voz me √© familiar desde a √©poca dos Power Rangers (Ok, entregando a idade agora hahaha). √Č vis√≠vel que tem um contato com o universo dos her√≥is, desde o come√ßo. Uma voz que me marcou muito foi a do Lex Luthor de "Smallville", tanto que quando vejo o ator falando originalmente, tenho impress√£o de ser a sua voz falando apenas em ingl√™s. Como foi pra voc√™ dublar um dos vil√Ķes mais ic√īnicos do universo DC por tanto tempo?
JL: Lex Luthor √© incr√≠vel! Adorava dubl√°-lo! Michael Rosenbaum, o ator, o interpretava muito bem, com todas as nuances, degraus e varia√ß√Ķes que o personagem merecia, sem nunca cair no estere√≥tipo do psicopata comum. Os vil√Ķes s√£o sempre muito instigantes, pois eles carregam em si o peso da humanidade, os traumas injustificados ou n√£o, e sempre d√£o ao ator mais chances de colorir seu trabalho, desde que ele saiba usar bem a paleta de cores e suas ferramentas como ator. E, honestamente, acho que o seriado era dele.

UDCN: Na parte da anima√ß√£o, voc√™ deu sua voz ao Kid Flash de "Os Jovens Tit√£s", e consegue passear muito bem em tr√™s personagens bem distintos do universo DC. De Batman, um her√≥i amargurado por seu passado; √† Lex, um vil√£o que luta contra a sua pr√≥pria natureza em v√°rios momentos. J√° na anima√ß√£o "Os Jovens Tit√£s", voc√™ dubla um personagem mais leve e para um p√ļblico at√© mais novo. Para buscar esse equil√≠brio de entrega de resultado, voc√™ busca um pouco a origem do personagem ou deixa fluir conforme a hist√≥ria?
JL: Temos sempre que respeitar aquilo que nos √© apresentado pelo produto. N√£o posso fugir √†s caracter√≠sticas do personagem, nunca, ou farei um trabalho dissonante e ruim. No caso desses 3 personagens, eles s√£o famosos e marcam nossas vidas, e sempre h√° a dire√ß√£o de dublagem a nos informar e encaminhar no melhor caminho de trabalho. Dublagem √© um trabalho em que tudo o que preciso saber sobre o personagem est√° na tela. Claro, h√° os perfis que v√™m dos est√ļdios, as famosas “cartas criativas” com as informa√ß√Ķes b√°sicas e fundamentais a serem seguidas pelo ator/dublador que v√£o da personalidade do personagem √† uma quest√£o f√≠sica. No Batman, por exemplo, eu recebi a indica√ß√£o da Warner, donos do produto, de n√£o subir muito o tom da minha voz, mant√™-la sempre mais grave poss√≠vel para caracterizar a amargura do Cavaleiro das Trevas.
 
UDCN: Mudando de universo, você também dublou o ator Mark Ruffalo (Hulk) em um dos filmes de Vingadores. Essa sua ligação com os heróis, nas telas, se reflete em sua vida pessoal? Costuma consumir quadrinhos/filmes/séries do gênero?
JL: O Hulk √© um caso de amor que tenho. Me identifico com o Bruce Banner e sua serenidade constante para n√£o liberar o “cara”. √Č outro her√≥i humano que muito me deu prazer em dublar, assim como o Mark Ruffalo, a quem considero um grande ator e j√° tive o prazer de interpret√°-lo em outros filmes. Li muito quadrinho quando era mais jovem, cheguei a fazer √°lbum de figurinhas na inf√Ęncia. Esse universo dos her√≥is sempre me atraiu. Tamb√©m sempre consumi e continuo assistindo e me divertindo com filmes e s√©ries que s√£o lan√ßados no g√™nero, de "X-Men"(sou f√£) √† "Titans" passando por "Umbrella Academy" e "Guardi√Ķes da Gal√°xia"(amo), tudo me diverte, obviamente tenho meus preferidos.

UDCN: Em uma de suas entrevistas você elogiou o Batman de Ben Affleck como um dos melhores dos cinemas. Particularmente, também concordo. Dito isso, você tem relação pessoal com o personagem ou foi apenas mais uma voz do Ben Affleck que você já dubla por 25 anos?
JL: Como disse acima, foi o maior presente que at√© hoje ganhei na dublagem, enquanto f√£ de her√≥is e como ser humano. Foi uma epifania me ver no cinema da Warner, em Los Angeles, em janeiro de 2016. Sim, eles levaram os 4 principais de cada vers√£o de sua respectiva l√≠ngua para assistirem ao filme em tela aberta, pois essa chegaria para ser dublada nos pa√≠ses com prote√ß√£o contra hackeamento, j√° que era um lan√ßamento estrondoso e aguardado. Ent√£o, estar naquele cinema, com meus amigos queridos e de longa data, S√≠lvia Salusti, Guilherme Briggs e S√©rgio Cant√ļ foi a constata√ß√£o de uma trajet√≥ria correta, iluminada, da realiza√ß√£o de sonhos que, nem mesmo eu poderia imagin√°-los quando pequeno assistindo a Liga da Justi√ßa, nas tardes de domingo ap√≥s o almo√ßo em fam√≠lia. Dublar o Batman, assim como ter dublado o Fox Mulder, dos "X-Files", Jake Sully de "Avatar" e o Charlie Harper de "Two and a Half Man" e tantos outros, foi e √© mais do que apenas ter trabalhado e recebido, √© a certeza de uma estrada muitas vezes dif√≠cil, incerta, temer√°ria √†s vezes, mas sempre, sempre gratificante e aben√ßoada!

UDCN: Existe algum personagem que gostaria muito de interpretar? Qual seria sua maior realização como dublador?
JL: Acredito que o melhor personagem est√° sempre por vir, seja qual for a √°rea. Sempre ser√° um desafio novo, um universo desconhecido. J√° dublei grandes estrelas internacionais e anseio por seus pr√≥ximos projetos para me provocarem a dar o meu melhor, e tamb√©m aqueles atores nem t√£o famosos em projetos “menores” e que sempre me d√£o aulas diferentes e me instigam no meu melhor. Do Johnny Depp ao ilustre desconhecido do seriado que ainda ser√° produzido.

UDCN: Saindo do universo da DC, al√©m das dublagens citadas at√© o momento, voc√™ tem em seu curr√≠culo uma vasta lista de personagens ic√īnicos, como: Charlie Sheen (Two and Halfman), David Duchovny (Arquivo X), Vin Diesel (Velozes e Furiosos), Chap√©u Seletor (Harry Potter), Ben Stiller (Entrando Numa Fria), Marlon Wayans (Todo Mundo em P√Ęnico), Johnny Depp (Piratas do Caribe 5), Jamie Foxx (Django Livre), entre muitos. Tem algum, em espec√≠fico, que voc√™ carrega com carinho e se orgulha em ter feito?
JL: Todos os que est√£o citados na pergunta e mais RuPaul; Matt Damon; Vigo Morthensen; Carl (Simpson’s); Thomas Gibson; tantos por quem tenho carinho e apre√ßo, fica dif√≠cil lembrar.

UDCN: Diante de tantas dublagens marcantes, houve alguma situação mais inusitada e engraçada?
JL: Suspender a grava√ß√£o de "Criminal Minds" porque dei um espirro ao entrar no est√ļdio, ter crise de alergia, o nariz entupir e ficar imposs√≠vel de entender o que eu falava.

UDCN: Voc√™, al√©m de dublador √© ator. Pude conferir alguns dos seus trabalhos em novelas e s√©ries. O √ļltimo papel, inclusive, foi como o m√©dico Mauri, no folhetim "Bom Sucesso" da emissora Globo. Portanto, fica a pergunta: dublar √© uma prefer√™ncia ou uma escolha?
JL: Dublar é um prazer! Uma arte a quem devo grandes momentos, amigos e trabalhos de minha vida. Um ofício que me ensinou a ser pontual e profissional, a respeitar o trabalho do colega, a ser disciplinado, a ter raciocínio rápido para solução de problemas.

UDCN: Percebo o quanto é apaixonado por dublar. Essa é uma característica na maioria dos dubladores brasileiros. Existe um porquê?
JL: Porque somos bons, amamos o que fazemos, é divertido, somos gratos e é um trabalho delicioso!

UDCN: Uma dica para galera que tem interesse pela profissão de dublador: por onde devem começar?
JL: A melhor coisa a ser feita para quem iniciar na carreira artística é fazer um bom curso de teatro. Ele é a base de tudo, sem ele o ator é raso e sem cores para oferecer ao seu personagem aquilo que ele merece, o seu melhor. O palco é a grande matriz, depois enverede para outras paragens. Essa é a minha dica.

Esse foi o papo com o carioca Jorge Lucas Costa, ator e dublador h√° 28 anos. E se voc√™s, assim como eu, adoraram essa aula de humildade, simpatia e talento deste Mestre, deixarei, logo abaixo, suas redes para acompanharem o seu trabalho e ficarem ligados nas produ√ß√Ķes que t√™m o toque de sua voz.

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PS: Sempre achei um exagero quando ouvia que algu√©m virou mais f√£ do entrevistado, ap√≥s a experi√™ncia. Mas, c√° estou eu, constatando a veracidade nesta informa√ß√£o! √Č, virei mais f√£, Jorge Lucas.

Muito obrigado pela oportunidade!


Foto: Jorge Lucas | Cr√©dito: Nana Moraes   Em grande estilo, √© com imenso prazer que trago a primeira entrevista do site! O ator e dubl...

Os Novos 52 | Ex-editor Dan DiDio revela o seu maior arrependimento na DC


O ex-editor da DC Comics, Dan Didio, durante o podcast Drink & Draw, revelou seu maior arrependimento sobre o seu tempo na editora.
 
DiDio pontuou os erros que acredita ter cometido na época de relançamentos como, por exemplo, Os Novos 52. O ex-editor alegou que seu maior arrependimento foi a falta de equilíbrio dedicado entre o Ano 1 e 2.

Dan DiDio, ex-editor da DC Comics
Provavelmente meu maior arrependimento foi ter feito as coisas acontecerem r√°pido demais. Passamos de seis a oito meses construindo Os Novos 52, repensando os personagens, repensando os designs, repensando os vil√Ķes, repensando tudo para que fizesse sentido.

Dan citou que as coisas estavam se movendo rápido demais e gastando menos tempo para o desenvolvimento. O que acabou refletindo na hora de fazer mudanças em personagens que mereciam atenção e, por consequência, ganharam menos dedicação e energia para a realização destas melhorias.

O ex-editor tamb√©m declarou que os f√£s e leitores de quadrinhos ficavam impacientes para entender quais hist√≥rias eram, realmente, as mais importantes para aquela linha de publica√ß√£o, fazendo v√°rios f√£s desistirem de acompanhar as edi√ß√Ķes.

DiDio deixou sua posi√ß√£o como co-editor da DC, em fevereiro deste ano, fazendo de Jim Lee, o editor √ļnico. Esta foi sua primeira apari√ß√£o p√ļblica, desde ent√£o.

Texto criado em 11/04/2020 | Publicado em Terraverso

O ex-editor da DC Comics , Dan Didio , durante o podcast Drink & Draw , revelou seu maior arrependimento sobre o seu tempo na edit...

Crise nas Infinitas Terras | Por quê Tom Welling não vestiu a capa de Superman?


Se houve algo que deixou os f√£s euf√≥ricos para o crossover de Crise nas Infinitas Terras, foi o an√ļncio que Tom Welling participaria do evento. A nostalgia tomou conta e in√ļmeras teorias foram montadas de como o eterno Clark Kent, da s√©rie Smallville, retornaria ao papel.

Acontece que sua participação acabou frustrando a maioria dos fãs, já que Clark Kent da Terra-167 não retornou como Superman, e sim como o pacato fazendeiro da interiorana Pequenópolis. Sem poderes e cuidando da família na fazenda que herdou dos pais.

O evento televisivo aconteceu entre final de dezembro de 2019 e início de janeiro de 2020, mas continua sendo pauta constante devido seu sucesso. Em participação ao Fake Nerd Podcast, o produtor Marc Guggenheim resolveu comentar sobre a participação especial de Tom Welling e o motivo que o fez ser daquela forma.

Quando estávamos conversando sobre Smallville em Crise nas Infinitas Terras, um dos principais tópicos foi Superman II. A ideia de Clark abandonar os poderes e viver uma vida normal ao lado de Lois, acho que fazia todo sentido. E também fazia sentido para Tom. Foi uma junção de fatores.

A pergunta que fica em aberto é: Se Clark Kent abriu mão de seus poderes, não poderíamos ter tido um fan-service da série à todos aqueles que shipparam o infalível casal Clark e Lana?

Apesar de Lois ter sido inserida muito bem na vida de Clark, após a despedida de Lana, fica claro que o casal Clana só não foi possível, devido Lang ser um kriptonita ambulante. Logo, com Clark abrindo mão de seus poderes, seria muito mais coerente termos visto Lana no lugar de Lois.


Apesar da referência ao épico filme Superman II, fica no ar se, em algum multiverso não mostrado na Crise, tivemos um final feliz para o casal Clark Kent e Lana Lang, de Smallville.

Se houve algo que deixou os f√£s euf√≥ricos para o crossover de Crise nas Infinitas Terras , foi o an√ļncio que Tom Welling participaria d...